quinta-feira, 5 de novembro de 2009

SOBRE A MINHA AUSÊNCIA

Estou aqui para dizer aos amigos do ‘Furacão’,
que estão sentindo minha ausência,
que tenho andado com problemas de saúde
e por isso sumida do blog.
Continuo escrevendo, mas não tenho tido ânimo pra postar meus textos.
Aproveitando que acordei no meio da madrugada,
resolvi abrir meus e-mails e também vir aqui deixar esse recado.
Estou sob cuidados médicos e ainda fazendo exames.
Peço a compreensão de vocês.

Amanhã, devo fazer pelo menos uma ou duas postagens.

Grande beijo a todos!


Com saudade,

Cacau Rodrigues.

sábado, 1 de agosto de 2009

IMPRESSÕES DE UMA ARTE SIMPLES

Bom, esse texto eu escrevi a partir de uma ideia, um sentimento, uma lembrança.
Eu estava pensando na família que escolhi, e que me acolheu; e nos quase dois dias que passei em Araraquara (SP). E comecei a pensar em tudo que vivi, em tudo que deixei de viver; nas quedas ridículas, nas vezes que tentei levantar, conseguindo algumas e noutras simplesmente desabando mais. Mas principalmente, estava pensando no hoje e no amanhã que eu quero pra mim.
Sou uma carioca marrenta, com uma descendência de alma, no mínimo interessante; desconcertante, diria uma parte maliciosa da imprensa: Eu sou uma carioca com descendência de alma paulista. Alguma coisa de errado? Nada. Apenas que fora criada uma rivalidade idiota entre esses dois Estados fantásticos. E eu, que nasci mesmo pra quebrar convenções e ditar minhas próprias normas, resolvi me encontrar “por acaso (?)” com esse meu lado ‘paulistamente’ lindo e puro.
Valeu, m’ermão! Eu sou a fina flor carioca, plantada no meu Rio de Janeiro, colhida em São Paulo, depois de um doce florescer.

Dedico esta poesia, e todas as minhas impressões de paz, à família que me fez conhecer o amor incondicional, representada pelas figuras de mamãe Catharina e papai Luiz, de Araraquara, São Paulo.

Um carinho especial às minhas irmãs Dulcinha Adorni, Dirce Vetarischi e Dora Bobojc.
Cacau.
IMPRESSÕES DE UMA ARTE SIMPLES


A felicidade maior está na arte de um papo de esquina,
Um jeitinho de menina,
Um sorriso maroto,
Um carinho repentino,
Um encontro inesperado,
Mas com dia marcado
Apenas pelo destino;
Como a amizade que chega sem mandar aviso,
E entra sem pedir licença,
E fica sem nenhum motivo,
E não vai embora
Porque ‘jamais estará na hora’.
A felicidade está na caneta sobre o papel,
Nos dedos habilidosos sobre o teclado,
Nas palavras que saem sortidas,
Algumas vezes mordidas,
Todas as vezes poéticas,
Na mais pura revelação de sentimentos
No exercício de uma arte simples.
A felicidade é conhecer um rosto,
Reconhecer o lado que não está exposto;
A felicidade é a beleza de ouvir e ver
Coisas, pessoas e atitudes
Fora desse mundo tosco.
A felicidade está no latido de um cão,
No miado de um gato,
Na gargalhada de uma criança.
A felicidade está no doce da vó,
No colo da mãe,
Numa vida cheia de esperança.
A felicidade está num beijo de amor,
Na instigante primeira troca de olhares,
Na imediata vontade de andar junto
Por todos os lugares.
A felicidade está até no desejo contido,
No amor não correspondido,
No sentimento escondido
Que manda o bom senso pelos ares.
A felicidade está na arte de ser feliz
Quando tudo parece perdido.
Porque a felicidade está na música que ouço,
Na poesia que faço,
Na mulher que conheci,
No sonho de um abraço,
Na família de amigos que escolhi.
Felicidade pra mim é isso.
Apesar das loucuras dessa vida,
Das noites mal dormidas,
Ser uma espécie simples de artista
Me faz feliz.
Eu sou poeta porque Deus quis.



Cacau Rodrigues




POESIA DE VIAGEM



POESIA DE VIAGEM


Cheguei de São Paulo outro dia,
Numa felicidade que nem me cabia.
Trazendo no peito um sonho refeito,
Um desejo satisfeito,
Uma visão mais aberta,
Um outro conceito.
A certeza de ter conhecido,
Algo para mim despercebido:
O amor incondicional.
Na minha bagagem
Poesia de viagem,
No meu coração
Simplesmente o amor.
Foi muito rápido;
Nem tive tempo de mexer em Araraquara,
Mas de alguma forma
Araraquara mexeu em mim.
Cheguei ao Rio de Janeiro,
E tudo parecia ainda mais bonito.
Os postes pareciam sorrir,
As calçadas pulavam,
Os bares chamavam,
As mulheres queriam muito mais de mim.
Queria chegar,
Mas queria voltar.
E queria que Araraquara fosse logo ali.
A vida faz coisas engraçadas,
Faz partidas,
Faz chegadas,
Faz até umas paradas
Pra gente não se cansar desse longo caminho.
Eu estou aqui, de volta ao mundo que deixei.
Foi por um tempo curto, eu sei.
Mas foi o tempo que eu precisei;
Tempo suficiente pra tudo acontecer.
Porque o tempo
É sempre o tempo certo
Pra dar tempo da gente entender.



Cacau Rodrigues

sexta-feira, 17 de julho de 2009

ESSE É MEU COMPADRE



ESSE É MEU COMPADRE


Aê, dá meu chapéu, meu cumpade!
Dá mole não, meu cumpade!
Chega de banda,
Faz que foge, volta e manda;
Azeita na hora alta da madruga!
É meu cumpade quem me ajuda!
Dá cá o chapéu, malandro!
Tô indo sem bando,
É de vermelho e preto
Que eu mando!
É assim que eu troco as pernas,
Bandeando de cigarro e cachaça na mão!
Vou na mistura de chão:
Calçada, esquina, puta e cafetão!
É o cão da noite, cumpade!
É poesia, cumpade!
É língua macia, cumpade!
Vou descer a ladeira,
Girando, cantando,
Fazendo zoeira,
Pensando besteira,
Topando com o bode;
E encara quem pode!
Vou dando rasteira!
Eu sou protegida da lei do cumpade.



Cacau Rodrigues

POR MAIS QUE A VIDA PASSE



POR MAIS QUE A VIDA PASSE


Guardarei em mim teus gestos;
Guardarei pra ti meus versos.
E mesmo que os amores cheguem,
Assim, aos montes, diversos,
O que foi dito não se perderá jamais.
As palavras que vêm, as palavras que vão;
Todas as palavras são
Fruto de um íntimo querer.
As palavras escritas, as palavras ditas;
Todas como palavras de amor,
Foram feitas para se dizer;
E são a certeza de que nada disso terá sido por acaso.
Te desejei cada minuto,
Te amo mais cada minuto.
E por mais que a vida passe,
Seremos parte intrínseca de um sentimento eterno.
Por isso acredite,
Conhecer-te não foi algo sem sentido.
E não se desespere,
Querer-me nada tem de proibido.
A vida nos sorrirá,
Esse amor cada vez mais existirá,
Toda vez que um bobo se calar.
Toda vez que um bobo comentar.



Cacau Rodrigues